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  • Caco da Motta

Brasil é recordista mundial em Fake News

Pesquisa aponta que os brasileiros são os que mais acreditam em notícias falsas e lei agora prevê até cadeia para quem divulgar Fake News de candidatos em eleições.


O jornalismo sério exige apuração, provas e testemunhos daquilo que é divulgado. Com a possibilidade de qualquer pessoa publicar informações em redes sociais ou blogs, as notícias falsas têm se espalhado na Internet e em mensagens de smartphones. Existe nesta história uma confusão ao atacar o jornalismo, os jornalistas e os meios de comunicação de que escondem algo. Assim, o simples ato de recortar e colar boatos e histórias mentirosas virou um contraponto perigoso e irresponsável e agora pode levar a cadeia, de acordo com uma lei sancionada em junho. O plenário do Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Jair Bolsonaro e manteve o trecho do Código Eleitoral que criminaliza a divulgação de notícias falsas contra candidatos em eleições. A pena é de dois a oito anos de prisão, além de multa. O trecho será incorporado à Lei 13.834/19. Ou seja, a divulgação de notícia falsa durante as eleições também pode levar a cadeia assim como quem produz a fake news.

Outra coisa importante: os jornalistas sérios têm registro profissional e as empresas de comunicação têm fachada, endereço e razão social. Todos podem ser processados e acionados pela justiça de acordo com a Lei de Imprensa caso divulguem mentiras ou acusem sem provas.

Uma pesquisa divulgada no final de 2018 pelo Instituto Ipsos apontou que os brasileiros são os que mais acreditam em fake news (notícias falsas) no mundo. O estudo aponta que 62% dos entrevistados no Brasil admitiram acreditar em pelo menos uma notícia falsa. Depois do Brasil, seguem Arábia Saudita (58%), Coreia do Sul (58%), Peru (57%) e Espanha (57%). Os italianos são os mais desconfiados. Somente, 29% acreditaram em uma notícia falsa. Foram ouvidas 19.243 pessoas em 27 países. Como a proliferação das falsas informações durante as eleições presidenciais se deram a maioria pelo WhatsApp, a empresa passou a restringir no início deste ano o compartilhamento de apenas mensagens para 5 pessoas ou grupos por vez.

Quando as pessoas desavisadas por impulso divulgam uma notícia falsa, ainda há uma explicação de que não têm noção do papel da imprensa e dos jornalistas mesmo que isso possa ser considerado um ato de ignorância. Mas o pior é quando alguém defende um grupo político, um time de futebol ou qualquer coisa de seu interesse e compartilha de forma intencional algo falso, mesmo sabendo que aquilo não é verdade. A paixão política, esportiva e religiosa cega as pessoas do risco que é mandar informação mentirosa. Pior ainda é quando jornalistas, que estudaram as leis de imprensa e as regras de apuração, também divulgam informações falsas. A necessidade de dar um furo de reportagem (que é dar em primeira mão, sair na frente) muitas vezes provoca ações irresponsáveis e vergonhosas. Já presenciei nas redações, jornalista dar a morte de homônimos, dar alguém como morto antes de morrer e até divulgar a contratação de jogadores que nunca existiram. Mais grave ainda é quando a notícia falsa causa a morte pela desinformação. A BBC relatou que nas Filipinas uma mulher perdeu dois filhos por sarampo porque acreditou na falsa informação de que a vacina era um problema. Já falei sobre as novidades do jornalismo na era digital e as ferramentas online para checar informações falsas aqui neste Post.


A TV Globo preocupada com a indústria das Fake News divulgou um vídeo que também mostra a gravidade da situação. A ideia foi mostrar como as pessoas divulgam notícias falsas sem ao menos verificar se realmente era verdadeiras. A própria jornalista Fernanda Gentil divulgou na semana passada no Instagram dela o vídeo. São 30 pessoas de diversas áreas (e não são jornalistas como estão divulgando de forma errada em algumas redes sociais). Clique aqui para ver o vídeo.

É preciso deixar bem claro que há uma diferença entre pauta, informação e opinião. Como pauta, muitas vezes, postagens em redes sociais servem como alerta para que jornalistas e a própria justiça chequem as informações. Mas elas só devem ser divulgadas e compartilhadas após a comprovação dos fatos. E mesmo quando um jornalista ou algum veículo de comunicação comete um erro é possível voltar atrás, se retratar e até ser punido por estar sujeito às penas previstas na lei.

Também não significa que as pessoas precisam concordar com a opinião de jornalistas e meios de comunicação. Um jornalista pode relatar um fato verdadeiro e emitir uma opinião contrária do espectador ou leitor. Tem sim gente de esquerda e de direita, meios de esquerda e de direita, lados e interesses distintos. Faz parte da liberdade de expressão e da democracia. E todos têm o direito de trocar de canal, deixar de ler ou ouvir o que não concorda.

Cito um exemplo de diferença de opinião em uma mesma informação: O Palmeiras sofreu uma goleada para o Flamengo no Maracanã por 3 a 0 no último domingo. É possível que um comentarista diga que a culpa é do Felipão porque escalou mal o Palmeiras, outro fale que a responsabilidade é da direção que contratou errado gastando milhões em jogadores sem alma, ou ainda um terceiro pode apontar que o Flamengo está numa fase espetacular com melhor elenco do Brasil e o melhor técnico: Jorge Jesus. Mas aí até o técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, disse que o Grêmio é o melhor time do Brasil porque é o único que está vivo em três competições. Todas informações são verdadeiras, mas cada um tem seu ponto de vista. O debate é livre, a mentira jamais.

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