• Caco da Motta

Qual o valor da Copa América para o Brasil?


Tite ressalta que tem contrato com a CBF até 2022. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ganhar a Copa América de 2019 vale mais para o Peru do que para o Brasil. Para o Brasil, pior é perder a competição em casa. Então, fica quase tudo na mesma. Bom mesmo foi ter superado a Argentina, apesar das reclamações dos argentinos de dois pênaltis a favor, que pelo menos poderiam ter o uso do VAR, embora não precisasse entrar num nível grave de acusações contra a Conmebol até mesmo por parte de Messi. Só que nada disso importa para o Brasil. O maior valor desta competição para a Seleção Brasileira é o futuro de Tite, o desempenho sem Neymar e a evolução do time em relação a Copa do Mundo de 2018, quando fomos eliminados pela Bélgica. Há algo estranho no ar quando surge uma informação de que Tite pode sair após a consquista da competição. E a informação veio do renomado jornalista Juca Kfouri. Está tudo aqui para quem ainda não leu. Em resumo, Tite estaria insatisfeito com a ideia de não poder repor as saídas de Edu Gaspar, Sylvinho e do analista Fernando Lázaro da comissão técnica. A CBF já se manifestou em nota que Tite permanece com qualquer resultado, mas não há garantias de que o técnico, mesmo feliz com a ascensão de seus colegas, não possa trazer outros de sua confiança para a Granja Comary. Na coletiva antes do jogo contra o Peru, Tite repetiu três vezes que tem contrato até 2022. A impressão que fica é de que há um racha entre CBF e Tite e ele sai se vencer ou é demitido se perder. Isso também não importa. O mais importante é o desempenho da Seleção e, dentro de campo, houve pouca evolução em relação ao que se viu na Copa do Mundo. O grande destaque é a defesa. Com Alisson em grande fase na Seleção e no Liverpool, está consolidado que ele deve ser o goleiro titular com Tite ou sem Tite. Daniel Alves foi o melhor em campo contra a Argentina de Messi e foi o legítimo capitão, bem diferente de Neymar, seu grade amigo. Foi referência técnica, com jogadas e dribles fantásticos, e líder como exemplo de dedicação em campo. Gostaria de ver mais jogos desta defesa em amistosos contra adversários de peso, principalmente Europeus. Mas o time começa por estes dois Alisson e Daniel Alves. Do meio para frente, o time ainda é comum tamanha a fragilidade e o baixo nível técnico da Copa América. O meio-campo possui jogadores de um ótimo nível como Casemiro, Artur e Philippe Coutinho, mas muito aquém de anos anteriores quando fomos protagonistas mundialmente. No ataque, a grande novidade é Everton Cebolinha, do Grêmio. Os demais, são jogadores de um bom nível diante do cenário internacional. O diferencial do Brasil, único craque de padrão mundial, é Neymar. Só que o ex-capitão coleciona lesões em momento importantes e ainda se envolveu num grave caso de polícia, com acusação de estupro até agora não confirmado. Quando voltar, certamente estará mais calmo fora de campo e poderá se concentrar na bola e não no Instagram.


Para o bem do Brasil, quem deveria mudar era a CBF e não Tite. Com erros e acertos, o técnico está fazendo seu trabalho e bem. O título da Copa América não importa. Pena que ele foi obrigado a levar tão a sério o resultado e não pôde começar a renovar o time. Entrosar a nova geração com os experientes jogadores é o caminho para apresentar algo de diferente no nosso futebol. Que o drible e a jogada individual ofensiva sejam resgatados como se viu contra a Argentina. Se tiver um novo técnico e for Mano Menezes ou Renato, como aponta Juca Kfouri, vamos perder tempo e começar tudo de novo. Não que eles não sejam bons. Gosto muito da meia do Renato na Seleção, mas o fato de abrir um novo ciclo preocupa. Talvez seja tarde demais. Tite pode mesmo ter se desiludido com a CBF. Tomara que não.

Ah, e contra o Peru? Somos favoritos. Mas favorito não ganha jogo nem campeonato. O Peru pode sim ser uma zebra. O Maracanã volta ser o nosso grande palco. Paolo Guerrero ou Daniel Alves erguerão a Copa.




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