- Caco da Motta

- 21 hours ago
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É difícil responder à pergunta: por que o São Paulo troca Crespo por Roger Machado? Existem muitas especulações e informações apuradas, mas nada foi confirmado oficialmente pelo clube. A notícia é que o São Paulo encaminhou acerto com Roger logo após a saída de Crespo.
O motivo que mais se encaixa nesta troca parte da justificativa da saída de Hernán Crespo. O técnico teria afirmado internamente que o objetivo na temporada seria fazer campanha para não cair no Brasileirão. Os dirigentes querem mais.
Roger foi campeão estadual por alguns clubes onde passou. Isso Crespo também foi. Fracassou em campanhas do Brasileirão e da Libertadores, os títulos mais cobiçados pelos grandes clubes do futebol brasileiro como o São Paulo. O último trabalho no Inter é semelhante a todos os outros no Bahia, Grêmio, Palmeiras e Fluminense, exceto no Juventude e no Novo Hamburgo, que ajudaram a projetar seu nome porque seus objetivos eram menores.
Roger Machado é um excelente técnico no plano de jogo e nos modelos táticos. Seus times costumam jogar com trocas de passes em transições criativas. Em alguns momentos ficam mais expostos na defesa, mas ainda assim encantam quando o time encaixa. Suas explicações em entrevistas e coletivas lembram um professor explicando como funciona o desenho do time dentro de campo.
Mas existe algo além disso que sempre começa a desmoronar o desempenho de suas equipes. Nunca tive oportunidade de entrevistar Roger pessoalmente, mas gostaria de perguntar a ele exatamente sobre essas quedas de rendimento que aparecem em vários trabalhos.
No Inter, o início foi empolgante. Muitos apontavam o time como candidato a uma grande temporada em 2025. Depois das eliminações para Flamengo na Libertadores e para Fluminense na Copa do Brasil, o rendimento caiu drasticamente. O Inter entrou na zona de rebaixamento e só escapou após mudanças no comando técnico, até que Abel Braga conduziu a equipe à permanência na última rodada. No Grêmio, na última passagem, Roger também saiu porque a campanha na Série B não transmitia segurança para o acesso. Todo grande profissional pode se reinventar e dar a volta por cima. Mas não vejo o cenário do São Paulo como ideal para Roger Machado.
Ele terá que fazer mais do que Crespo, que não fez pouco neste início de Brasileirão, e terá praticamente o mesmo elenco à disposição, que não tem o peso de grupos como os de Flamengo e Palmeiras. Ou seja, o São Paulo pode repetir o que Corinthians e Vasco fizeram na temporada passada e chegar a uma final de Copa do Brasil. Na Libertadores, pode repetir o que aconteceu com o Inter. Basta encarar um destes elencos mais fortes que não será favorito.
Mesmo que Roger se supere, ele não tem muitos elementos para ir tão longe. Foi isso que Crespo disse e não durou no cargo. Então são dois problemas. O São Paulo precisa se reforçar mais. E Roger necessita encontrar um plano de gestão de time que não seja apenas a parte tática e o campo de jogo. Existe alguma coisa que não consigo entender quando seus trabalhos começam bem e depois decepcionam. Pode ser relação com os jogadores, pode ser a parte física da equipe de trabalho. Só ele pode descobrir.
"Eu sei do desafio que estou enfrentando no São Paulo", disse Roger ao chegar à capital paulista antes de ser anunciado oficialmente. Boa sorte ao Roger.

