ARGENTINA E BRASIL LIDERAM O RANKING DA CERA
- Caco da Motta

- 13 hours ago
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Um levantamento publicado pelo jornal argentino La Nación colocou os campeonatos de Argentina e Brasil no topo de um ranking pouco honroso: as ligas com menor tempo de bola rolando no futebol mundial. O estudo comparou o tempo efetivo de jogo em oito grandes ligas e revelou que o futebol sul-americano é o que mais interrompe as partidas.
Percentual de bola rolando nas ligas analisadas
Argentina – 50,5%
Brasil – 53,3%
Itália – 55,5%
Espanha – 56%
Inglaterra – 56,1%
Alemanha – 57,3%
França – 57,8%
MLS (Estados Unidos) – 58%
O levantamento também mostra um paradoxo curioso. Os jogos no Brasil duram mais tempo, mas não têm mais futebol. A média das partidas do Campeonato Brasileiro já ultrapassa 100 minutos de duração total, justamente porque o árbitro precisa acrescentar muito tempo para compensar as paralisações. Na prática, quase metade do jogo é consumida por interrupções.
Por que o jogo para tanto? Existem fatores estruturais:
muitas faltas marcadas
discussões com arbitragem
substituições demoradas
reposições lentas de bola
revisões do VAR
Mas há também um componente cultural bastante conhecido no futebol sul-americano. No Brasil e na Argentina é muito comum que essas paradas venham acompanhadas de simulações de lesões ou exageros após contatos leves, principalmente quando uma equipe está vencendo. É a famosa catimba, ou simplesmente cera, usada para esfriar o jogo e fazer o relógio correr.
Por que a MLS tem mais bola rolando?
A liga norte-americana aparece no topo do ranking porque adotou regras específicas contra perda deliberada de tempo. Entre elas:
Substituição cronometrada – 10 segundos
O jogador substituído tem até dez segundos para sair do campo. Se demorar mais, o substituto precisa esperar para entrar e o time pode ficar momentaneamente com um jogador a menos.
Atendimento médico limitado – 15 segundos
Se o atleta receber atendimento em campo por mais de quinze segundos, precisa sair para avaliação fora.
Tratamento fora do campo
Jogadores de linha lesionados devem ser atendidos fora do gramado.
Exceções
As regras não se aplicam a goleiros, suspeita de concussão, lesões graves ou faltas que resultem em cartão.
As novas regras aprovadas para o futebol mundial
Esse modelo influenciou mudanças recentes aprovadas pela International Football Association Board (IFAB), responsável pelas regras do jogo, que passarão a valer no futebol internacional e também no ciclo da Copa do Mundo de 2026.
Entre as principais mudanças estão:
Goleiro com limite de 8 segundos
Se o goleiro segurar a bola por mais de oito segundos, o árbitro marca escanteio para o adversário.
Contagem para reposições
Laterais e tiros de meta poderão ter contagem regressiva de cinco segundos para evitar atrasos deliberados.
Substituições rápidas
Jogadores terão cerca de 10 segundos para deixar o campo quando forem substituídos.
Lesão com saída obrigatória
Atletas atendidos em campo terão que deixar o gramado por pelo menos um minuto antes de voltar ao jogo.
Ampliação do VAR
O árbitro de vídeo poderá intervir em novos casos objetivos, como erro de identidade na punição de um jogador, cartão vermelho por segundo amarelo aplicado de forma equivocada ou escanteios claramente marcados de forma errada.
Câmeras corporais para árbitros
Competições poderão usar câmeras corporais nos árbitros inicialmente em caráter experimental.
Também foram ajustados procedimentos de bola ao chão, penalidades com toque duplo acidental e uso de equipamentos seguros pelos jogadores.
O objetivo dessas mudanças é aumentar o tempo efetivo de jogo e reduzir a perda deliberada de tempo, um problema que o levantamento do jornal La Nación escancarou principalmente os recordes negativos da Argentina e do Brasil.





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