GRENAL 450: RESPEITO, RIVALIDADE E EQUILÍBRIO MARCAM ENTREVISTA ANTES DA FINAL DO GAUCHÃO
- Caco da Motta

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Na Arena do Grêmio, palco do primeiro jogo da decisão do Campeonato Gaúcho 2026, técnicos e capitães de Grêmio e Internacional participaram de um encontro promovido pela Federação Gaúcha de Futebol. Em clima de respeito, mas com a rivalidade latente, Luis Castro e Artur representaram o Tricolor; Paulo Pezzolano e Alan Patrick falaram pelo Inter. O tema foi um só: o peso de um Grenal decisivo.
Um clássico que começa antes da bola rolar
O evento reuniu imprensa e torcedores às vésperas do primeiro Grenal da final, que terá o jogo de volta no Beira-Rio. Antes da conversa, os quatro receberam uma camisa simbólica da Seleção Gaúcha, referência histórica à união de Grêmio e Inter em amistosos contra a Seleção Brasileira nos anos 70.
O gesto serviu como pano de fundo para o que viria a seguir: dois técnicos estrangeiros reconhecendo a dimensão cultural do futebol gaúcho e dois capitães falando sobre responsabilidade e privilégio.
O peso do Gauchão e a atmosfera do Grenal
Luis Castro foi direto ao falar sobre o significado de uma final. “Vitória é o que sustenta qualquer treinador”, afirmou, lembrando que vive o futebol há mais de cinco décadas e conhece o tamanho do clássico para o torcedor.
Pezzolano reforçou o entendimento da paixão gaúcha. “Cada jogo deve ser tratado como uma final, mas com equilíbrio emocional”, destacou. Para ele, é preciso desfrutar as vitórias sem perder o foco no próximo desafio.
Alan Patrick e Artur seguiram na mesma linha. O meia colorado resumiu o sentimento: “Viver um Grenal decisivo é um privilégio”. Do lado gremista, Artur reforçou que o clássico é diferente de qualquer outro jogo, pois está presente na cultura e no cotidiano da cidade.
A derrota no clássico anterior e a reação gremista
Questionado sobre o impacto do 4 a 2 sofrido no último Grenal, Luis Castro não fugiu do tema. “Foi uma derrota dura, mas o futebol é um mundo de oportunidades”, afirmou. Segundo ele, erra-se, reflete-se, decide-se e segue-se em frente.
Para o treinador, cada jogo é único. O passado serve para corrigir, não para ancorar o presente. Artur acrescentou que a análise foi feita internamente e que o foco agora está exclusivamente na decisão.
O Inter e a lição da vitória
Do lado colorado, Pezzolano evitou qualquer euforia. “O clássico que passou já ficou para trás”, disse, lembrando que jogar na Arena cria um contexto completamente diferente.
Alan Patrick reforçou a necessidade de equilíbrio. “Nem euforia na vitória, nem abatimento na derrota. O grupo está preparado”, afirmou, reconhecendo a força do rival e a importância de controlar o ambiente emocional.
Existe favorito?
Pergunta inevitável. Resposta direta.
Luis Castro foi enfático: “Favoritismo não entra em campo”. Citou experiências pessoais contra gigantes europeus para ilustrar que o futebol vive do imprevisível. Para ele, esse debate serve mais à imprensa do que ao vestiário.
Pezzolano manteve a linha discreta. Preferiu falar em trabalho e desempenho nos 90 minutos como fatores decisivos.
A questão física e o calendário brasileiro
Pezzolano trouxe um ponto relevante sobre o contexto nacional. “No Brasil, não existe o tempo ideal de pré-temporada. A equipe ganha ritmo jogando”, explicou. O desafio é equilibrar desempenho imediato no estadual sem comprometer a temporada longa.
Ele mencionou o próprio histórico recente para mostrar que foco excessivo no início do ano pode cobrar preço mais adiante.
Segundo os treinadores, a preparação para um clássico envolve três pilares: físico, tático e mental. Neste tipo de decisão, o aspecto psicológico costuma ser determinante.
Liderança em campo
Perguntados sobre a pressão individual, Alan Patrick e Artur trataram a responsabilidade com naturalidade. “A braçadeira aumenta a cobrança, mas também aumenta o senso de missão”, resumiu o capitão colorado.
Artur reforçou que liderança não é função isolada. Ela é construída por vários perfis dentro do elenco, especialmente em partidas de alta tensão.
Um clássico decidido no detalhe
O encontro deixou clara uma coisa: respeito fora, intensidade dentro.
Não houve provocações inflamadas. Houve consciência do tamanho do momento. Técnicos experientes, capitães maduros e um ambiente que mistura rivalidade histórica com profissionalismo.
A final do Gauchão 2026 começa na Arena e termina no Beira-Rio. Dois jogos. Um título em disputa.
E, como disseram os protagonistas, sem favorito, só futebol.





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