• Caco da Motta

O JORNALISMO SE MULTIPLICA NA ERA DIGITAL

Atualizado: 2 de Jul de 2019

Cada vez mais, como em toda e qualquer atividade, precisamos nos multiplicar, exercer  múltiplas tarefas, ou pelo menos ter conhecimento em 360 graus e não apenas sermos especialistas em uma só área. Não podemos perder o foco, afinal quem diz que faz tudo bem não faz nada bem feito. No jornalismo, não é diferente e até é mais evidente esta transformação. Tudo graças a exigência do mercado, do público consumidor e produtor de conteúdo e das ferramentas tecnológicas capazes de simplificar o nosso trabalho.

    

Repórter Multimídia produz conteúdo para várias plataformas

   Hoje, o repórter precisa ser multimídia e em breve talvez todos repórteres sejam e ainda tenham múltiplas funções. É o caminho natural da inovação, da agilidade da informação e da praticidade da Era Digital. O talento individual permanece valorizado. É como se não bastasse ao craque do time de futebol marcar gols, mas defender, armar jogadas, dar passes precisos. Tudo sem abrir mão da sua habilidade única. E mais: além do papel de jogador, da técnica em campo, há exigência para se ter espírito de equipe,  liderança em campo e fora dele. Ser até mesmo um técnico do time e muitas vezes um dirigente, um gestor nem que seja de um processo.

      Em 2001, eu tive a primeira experiência multimídia na cobertura do Circuito Mundial de Tênis para acompanhar o tenista Gustavo Kuerten pela RBS de Santa Catarina, gerando conteúdo de texto, foto, vídeo para rádio, TV, Web, Jornal. Além da RBS, produzi material para a RBS do Rio Grande do Sul, TV Globo e Sportv. Naquela época, ser repórter multimídia era basicamente ter uma mídia principal e gerar conteúdo para outras mídias.

Atualmente, é quase a mesma coisa. A diferença é que agora existem contratos de trabalho do profissional multimídia. Tanto no dia-a-dia como em coberturas especiais, quem faz foto também faz vídeo, quem escreve também fala e assim por diante.

     A maior novidade é a força das Redes Sociais e da interatividade. Porque o público também começa a ser multimídia e se manifesta em texto, foto, voz e vídeo. Muitas vezes sem apurar os fatos, o que é fundamental para comprovação da veracidade dos mesmos. Mas, por exemplo, um cidadão comum faz um registro em vídeo, de uma tragédia - um desabamento de um prédio e posta a história. É suficiente para virar notícia e ter seus desdobramentos. É o que chamamos de suíte, com novos fatos, novas versões e consequências.

     Há 30 anos, recebíamos ligações telefônicas e cartas – sou do tempo da cartinha com elogio, crítica e sugestão dos ouvintes. Hoje, a crítica é direta via email, pelo Whatsapp. Ou então a pessoa envia para um jornalista ou para um canal de TV pela interatividade e aquilo é utilizado para ilustrar a notícia. Antes praticamente só falávamos, hoje temos que ouvir e cada vez mais sermos transparentes. Ótimo. A verdade é a base do jornalismo.

            Os jornalistas publicam ou exibem suas reportagens como sempre fizeram, mas também multiplicam os canais quando compartilham o que produzem. Além de retratar os fatos, trazem bastidores e até mesmo uma visão pessoal no Facebook, no Twitter, no Instagram, no Youtube. Também crescem paralelamente os canais independentes de jornalistas e artistas. Os youtubers e os influenciadores digitais estão aí para comprovar a sua força na publicidade e surgem novos canais de comunicação alternativos.

           

As Redes Socias são novas fontes de informação

Assim como o profissional de mídia se multiplica, as plataformas também: em tablets, smartphones, TV, rádio, web, jornal, revista. A informação está em qualquer lugar, a qualquer hora. E o que mais chama atenção é a multiplicação das telas pelos smartphones. A tendência da multiplicação das mídias é irreversível. O que não muda no jornalismo é a importância das fontes, da responsabilidade das informações. O combate às notícias falsas são permanentes - as chamadas "Fake News" - que propagam mentiras, acusações e podem causar prejuízos e muitas vezes têm interesse político. As grandes empresas de comunicação têm seus canais de checagem de informações e há sites como o Boatos.org onde é possível encontrar notícias falsas e as versões verdadeiras.

                 Cresce a necessidade do jornalista de prestar um serviço de extrema qualidade. Cada vez é mais valorizada a formação do profissional de mídia, embora haja um aumento do conteúdo divertido, do entretenimento, geralmente mais genérico e muitas vezes fútil. Mas com equilíbrio é possível entreter sem deixar de trazer informações importantes que sejam construtivas para o público.

       Hoje, exerço mais de um papel no meu trabalho na TV Bandeirantes de Porto Alegre. E já me dividi em líder e produtor de conteúdo. Sou editor-chefe, mas ainda sou comentarista, apresentador e nunca deixei de ser repórter, nem que seja na apuração de fatos, na busca de pautas. A nova geração começa a vir com uma formação totalmente digital, fazendo selfies, vídeos, produzindo conteúdo em smartphones. E já não há mais uma reação sindical da categoria dos jornalistas em relação aos profissionais multimídia, nem uma disputa entre jornalistas fotógrafos e jornalistas da escrita, por exemplo.

          Lembro de um debate que travei com o excelente fotógrafo Antonio Carlos Mafalda (procurem no Google), baseado num artigo escrito por ele contra a cobertura multimídia do Guga por que eu estava produzindo as fotos. Eu não mudei de opinião na réplica que escrevi na época. A única autocrítica que faço é ter entrado numa discussão por que me senti ofendido pelos próprios jornalistas, colegas de profissão, que também podiam ter me ouvido antes de escrever aquilo.

            

A Era Digital está transformando o jeito de se fazer jornalismo

Os avanços da era digital com a informação transitando cada vez com maior qualidade estética e em alta velocidade estão transformando as relações pessoais, comerciais e multiplicando as possibilidades profissionais. O termo multimídia é presente porque todas as mídias estão na Web e em diversas plataformas. As pessoas de um modo geral são multimídia. Pena que os livros – os textos – sejam o menos valorizados pela maioria no Brasil. É onde há profundidade na descrição das histórias.

     Hoje, a expressão mais adequada que vale para qualquer atividade é “multiplicação”. O termo “múltiplo” é atual. Há uma série de pessoas que se subdividem em diversas atividades distintas, especialistas em áreas quase opostas. E vem aí uma robotização das notícias de forma oficial. Resumos de notícias automáticas e seleção de assuntos por algoritmos. A própria Inteligência Artificial vai entrar no cotidiano do jornalismo. No ano passado, a agência de fotos Getty Images lançou uma ferramenta de escolha de imagens por IA a partir do texto escrito. Conforme o assunto é redigido, as sugestões de fotos sao lançada, agilizando a edição de fotos.

    As novas ferramentas digitais e a mistura de funções vão gerar novas profissões, atividades e infinitas possibilidades de negócio e provavelmente novos conflitos, discussões e até mesmo mais erros que acertos. É a modernidade líquida indicada pelo sociólogo polonês Zygmund Bauman, “porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser sólido”. Concordo. Mas, humildemente, entendo que é uma fase de transição, de adaptação ao mundo digital como foi a virada da Revolução Industrial, numa escala bem maior.

    Hoje, sou múltiplo e também empresário até mesmo aberto para outras áreas. Sempre serei jornalista por gerar conteúdo para as pessoas em qualquer mídia, em qualquer plataforma. Um especialista em comunicação disposto a colaborar com a melhor performance de empresas, pessoas e marcas. Tenho prazer e sinto a necessidade de ser empreendedor diante dos desafios da Era Digital. Meu site é um passo neste sentido. Que a nossa história não seja tão líquida e escorra feito água, nem tão sólida e fria quanto o gelo. É preciso encontrar um novo caminho que só o tempo irá nos dizer e com certeza um jornalista irá nos mostrar.






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