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A possível ausência do Irã na FIFA World Cup 2026 abriu um debate raro no futebol mundial. O país já está classificado para o torneio, mas o governo iraniano anunciou que a seleção não pretende disputar a competição que será organizada por Estados Unidos, Canadá e México. A declaração foi feita pelo ministro do Esporte iraniano, Ahmad Donyamali, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio. Segundo ele, o país não tem condições políticas ou de segurança para participar do torneio após os ataques que desencadearam uma nova guerra regional e a morte do líder iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.


A decisão provocou repercussão imediata no futebol internacional. A situação envolve diretamente a FIFA, presidida por Gianni Infantino, que ainda não anunciou oficialmente qual será o procedimento caso a desistência se confirme. Antes da crise se agravar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia afirmado que o Irã seria bem-vindo para disputar a Copa. Mais recentemente, porém, disse que não se preocupa se o país decidir não participar do torneio.


A própria federação iraniana também deixou claro que o clima político afeta diretamente o futebol. O presidente da entidade, Mehdi Taj, afirmou que depois dos ataques militares não é possível esperar que a seleção pense no Mundial com normalidade. Entre os jogadores, o ambiente também é de forte mobilização. Alguns atletas têm usado nas redes sociais a hashtag #ایرانم, que significa “Meu Irã”, como demonstração de identidade e apoio ao país. O atacante Mehdi Taremi já havia feito manifestações públicas em momentos de tensão política no país, enquanto o também atacante Sardar Azmoun foi um dos jogadores que se posicionaram nas redes sociais em apoio à população iraniana durante protestos e crises internas. Irã: O Campo de Batalha das Mulheres no Futebol

O futebol iraniano precisa contornar outra crise gerada pelo regime do país sempre cruel com as mulheres que ficaram 40 anos sem poder frequentar os estádios para torcer. O jogo histórico com a presença de 4 mil iranianas aconteceu em 10 de outubro de 2019, no Estádio Azadi, em Teerã, válido pelas eliminatórias asiáticas para a Copa do Mundo de 2022. O Irã venceu Camboja por 14 x 0.      O palco deste marco, porém, foi bombardeado no último dia 5 de março pelos Estados Unidos e a imagem hoje é triste em contraste com a alegria daquelas mulheres. Em dezembro de 2023, cerca de 3.000 mulheres também foram permitidas ir no estádio Azadi, em Teerã, para assistir ao clássico entre Persepolis e Esteghlal.  


Ver a seleção do Irã pelas mulheres ainda é uma raridade, apesar da pressão da FIFA. Tanto que o capitão Alireza Jahanbakhsh se manifestou no seu instagram em 2022 contrariado com esta situação no jogo Irã 2 x 0 Líbado em Mashhad (مشهد) pelas Eliminatórias da Copa. Ficar fora do mundial é uma derrota também para as mulheres iranianas que nos EUA poderiam, antes da guerra, comparecer livremente nos jogos. Além disso, têm o episódio recente na última terça-feira, 11/03/2026, no jogo de estreia do Irã contra a Coréia do Sul, em Sidney, na Austrália, onde as jogadoras se recusaram a cantar o hino nacional. Em resposta, a mídia estatal iraniana rotulou-as como "traidoras em tempos de guerra", o que gerou temores reais de perseguição e até pena de morte caso retornassem ao país. Mas pelo menos 11 membros da delegação entre atletas e comissão técnica que pediram asilo foram atendidos pelos australianos.


O fato me fez lembrar o primeiro episódio da da 4ª Temporada da Série Morning Show da apple TV. Roya Nazeri, interpretada por Ava Lalezarzadeh, é uma esgrimista adolescente que representa a equipe iraniana nas Olimpíadas. O enredo da deserção ocorre quando Alex Levy (Jennifer Aniston) entrevista Roya e seu pai, Arsham, que secretamente pedem asilo político durante a cobertura da UBN nos Jogos Olímpicos. A cena envolve uma fuga tensa, em Nova York onde Alex ajuda Roya e seu pai a escaparem dos guardas iranianos que a supervisionavam. Imperdível e conectado com a realidade de atletas do Irã.

COMO A FIFA PODE SUBSTITUIR O IRÃ?


Caso a desistência seja confirmada, o regulamento da Copa permite que a FIFA aplique punições à federação iraniana e escolha outra seleção para ocupar a vaga. As sanções podem incluir multas e até suspensões em competições futuras. Mas é algo improvável devido ao motivo por força de uma guerra. A entidade também tem autonomia para decidir qual associação assumirá a vaga deixada pela seleção iraniana. Normalmente o critério esportivo pesa na decisão. Por isso, a tendência seria chamar outra equipe da Ásia ou um país que tenha ficado próximo da classificação nas eliminatórias.


QUEM PODE ENTRAR NA VAGA?


Um dos principais candidatos seria o Iraque. A seleção asiática disputa a repescagem intercontinental que definirá duas vagas restantes para o Mundial. O torneio reúne seis seleções de diferentes continentes: Bolívia, Iraque, Jamaica, Suriname, Nova Caledônia e República Democrática do Congo. Duas delas garantirão as últimas vagas para a Copa. No formato atual, Bolívia enfrenta o Suriname em uma semifinal e o vencedor encara o Iraque na final de uma das chaves da repescagem.


Se o Iraque fosse promovido diretamente para substituir o Irã no Mundial, essa chave poderia sofrer alteração. Nesse cenário, as seleções envolvidas na semifinal, Bolívia e Suriname, poderiam disputar uma vaga direta na Copa. Outra possibilidade seria a FIFA incluir uma nova seleção asiática na repescagem para equilibrar o torneio. Nesse caso, um candidato natural seria os Emirados Árabes Unidos, que tiveram campanha competitiva nas eliminatórias da Ásia e poderiam entrar por ranking ou desempenho geral.


IMPACTO NO MUNDIAL


Caso a saída se confirme, a vaga do Irã passaria automaticamente para a seleção escolhida pela FIFA, que herdaria também o lugar do país no grupo da Copa. A situação mostra como a geopolítica pode influenciar diretamente o futebol internacional. Seria uma das raras vezes em que um país classificado em campo abre mão de disputar uma Copa do Mundo por razões políticas e militares.

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